Brincar com palavras: como incluir a Comunicação Aumentativa no momento da brincadeira

Brincar com palavras: como incluir a Comunicação Aumentativa no momento da brincadeira

Por Equipe Tagatela · 15 de julho de 2026

Muita gente associa a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) a momentos "sérios": pedir comida, avisar que precisa ir ao banheiro, contar como foi o dia na escola. Mas um dos ambientes mais ricos para a comunicação acontecer — e crescer — é a brincadeira. É no chão, entre bonecos, carrinhos e blocos de montar, que a criança se sente segura para tentar, errar e tentar de novo.

Se você usa pictogramas em casa, vale a pena trazer essa mesma ferramenta para o momento do brincar, sem pressa e sem cobrança.

Por que brincar é um terreno tão bom para a comunicação

Durante a brincadeira, a criança já está motivada: ela quer aquele brinquedo, quer repetir aquela cena, quer que o adulto participe do jeito certo. Essa motivação natural facilita a comunicação, porque a criança tem um motivo real para se expressar — não é uma tarefa imposta, é um desejo dela.

Além disso, brincar costuma ser repetitivo (a mesma cena do carrinho batendo, o mesmo boneco caindo da cadeira), e repetição é exatamente o que ajuda a fixar o uso de uma palavra ou pictograma.

Ideias práticas para usar CAA na brincadeira

No parquinho e em espaços abertos

Fora de casa, um cartão pequeno ou o próprio celular com o quadro de comunicação pode acompanhar a família até o escorregador ou a pracinha. Pictogramas como "subir", "descer", "minha vez" e "mais" costumam ser os mais usados nesses momentos — vale ter esse conjunto sempre à mão.

O que evitar

É comum querer aproveitar cada brincadeira para "trabalhar" comunicação, mas isso pode transformar um momento de prazer em uma cobrança constante. Vale lembrar:

O objetivo não é transformar o brinquedo em ferramenta terapêutica, mas deixar a comunicação circular livremente por um espaço onde a criança já está confortável e motivada.

Pequenos passos, todos os dias

Não é preciso planejar uma atividade elaborada. Um pictograma de "bola" perto da caixa de brinquedos, uma pausa proposital no meio de uma cócega, um "quer mais?" sussurrado com o cartão na mão — são esses pequenos gestos, repetidos com carinho, que ajudam a comunicação a florescer no ritmo de cada criança.