CAA e a arte de contar como foi o dia: construindo narrativas com símbolos

CAA e a arte de contar como foi o dia: construindo narrativas com símbolos

Por Equipe Tagatela · 25 de outubro de 2026

Quando alguém volta da escola, da terapia ou de um passeio, a pergunta mais comum é: como foi o dia? Para muitas pessoas que usam Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), responder isso é um desafio grande. Contar uma história exige lembrar, organizar, escolher palavras e ainda ter os símbolos certos à mão. Neste texto, reunimos ideias para tornar esse momento mais possível e mais prazeroso.

Por que contar o dia importa tanto

Narrar o que aconteceu vai muito além de informar. É assim que construímos laços, pedimos ajuda, dividimos alegrias e também preocupações. Quando a pessoa consegue dizer 'hoje eu fiquei triste' ou 'hoje eu brinquei no parque', ela ganha voz sobre a própria vida e os adultos próximos entendem melhor o que ela sente e vive.

Comece pelo que é concreto

Perguntas muito abertas, como 'o que você fez hoje?', podem ser difíceis demais. Algumas estratégias ajudam a dar suporte:

Vocabulário que sustenta a narrativa

Para contar uma história, ajudam palavras que vão além de substantivos. Vale conferir se o sistema de CAA tem:

Não é preciso ter tudo de uma vez. Acrescente aos poucos, de acordo com o que faz sentido para a rotina e os interesses da pessoa.

Perguntas que convidam, não pressionam

Em vez de perguntas de resposta única, experimente opções e comentários:

  1. Comente primeiro: 'Vi que você trouxe um desenho. Parece que teve aula de arte!'
  2. Ofereça escolhas: 'Foi mais divertido ou mais difícil?'
  3. Pergunte sobre uma parte pequena: 'Quem estava com você no recreio?'
  4. Espere. Dar tempo de resposta é parte essencial da conversa.

Modele a narrativa

Mostre como se faz. Usando o próprio sistema da pessoa, conte algo do seu dia: 'Hoje eu fui ao mercado. Comprei fruta. Gostei!'. Ao ver o parceiro de comunicação narrando com símbolos, a pessoa aprende que aquele sistema serve também para contar histórias, e não apenas para pedir coisas.

Celebre qualquer tentativa

No começo, a narrativa pode ser uma única palavra ou símbolo, e tudo bem. Se ela apontar 'parque', você pode ampliar: 'Você foi ao parque! Com quem? Brincou no balanço?'. Reconheça o esforço, mostre interesse real e evite corrigir ou apressar. O objetivo é que contar seja algo bom, não uma prova.

Cada história contada, mesmo curtinha, é um convite para que o outro entre no mundo de quem fala.

Para levar com você

Contar o dia é uma habilidade que se constrói com prática, vocabulário acessível e parceiros atentos. Comece pequeno: um momento por dia, uma foto, um símbolo a mais. Com o tempo, essas pequenas narrativas se transformam em conversas cheias de significado. Cada pessoa tem seu ritmo, e acompanhar com paciência e carinho já é metade do caminho.